Passaram-se 7 dias e 10 horas desde a tão esperada meia-noite. Antes disso, muitos estavam enchendo seus bolsos dos trocados que ainda lhe restam, vestindo-se de amarelo, vermelho, branco, revisando os números da mega-sena, falando da mega -sena e da vida imaginária que teriam se, contra todas as estatísticas, tivessem escolhido aqueles 6 números na hora certa.
Ainda nas vésperas do "novo ano", uns pobres porquinhos devem ter esquecido de usar a cor certa na virada do ano anterior e estão assando, pois "fuçam para frente". As galinhas tiveram mais sorte nesse dia, "ciscam para trás".
Então chegam os tão esperados 10 segundos para meia-noite (no horário local), as pessoas começam a contar, gritar, os fogos são queimados, e puf. Era isso. Nada mais aconteceu, no próximo dia útil, é para o mesmo local de trabalho que muitos seguiriam, para a mesma casa, a mesma vida.
As supertições de ano novo só refletem algo destas "mesmas vidas" e de nós. Nas proximidades da meia-noite eu vi pessoas chorando com saudades de alguem que perderam. Outras preocupadas em finalmente fazer algo que melhorasse sua realidade. E algumas simplesmente angustiadas por "não sei o que".
Nessa hora eu perguntei a minha tia quais as suas resoluções para o ano novo. 50 e tantos anos e com um sorriso no rosto ela me respondeu:
-Vou passear bastante.
Ela já estava de passagem comprada.
