Mostrando postagens com marcador Aquele dia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aquele dia. Mostrar todas as postagens

Aquele dia que tive que me manifestar

Ou seria, "manifestar-me". Sempre achei o máximo essa história de próclise, mesóclise e ênclise, problema é que nunca entendi direito. O professor Élio, de gramática, dizia que caso de próclise é só quando há "palavras atrativas" - como ele chamava - só que nunca lembro destas atrativas aí...

O professor Élio era professor de cursinho, e sabe o que eu sinto falta de professor de cursinho? Eles sabiam o que cairia no vestibular, repassavam isso e pronto, acabou. Sem margem para lição de moral e discussões sobre certo e errado, salvo algumas aulas de redação. E este é o momento em que Aquela Bruna do 1º ano manifesta-se. Saudades disso? A Bruna não era aquela que não perdia uma discussão, principalmente sobre assuntos discutíveis, política, economia, etc...?

Eis aí a grande diferença entre esta e aquela. Entre ontem e hoje. Eu costumava adorar uma discussão sobre algum assunto polêmico e/ou ideológico. Buscava isso com os professores na aula e encontrava respostas e mais perguntas de algumas das minhas colegas - e grandes amigas - enquanto o resto da sala caia na distração.

Mas eu tinha 15 anos e queria salvar o mundo.

Hoje eu tenho 19 e não sou mais tão iludida.

Não que a tentativa de salvar o mundo, as discussões e o jeito pseudo-crítico (conforme já me definiram) não tenham ajudado em nada. Não salvei o mundo, mas aprendi a pensar. Hoje, ao invés de repetir o que falava quando tinha 15 anos - que em sua maioria eram conceitos direto do "livrinho básico do senso comum" - eu procuro ficar calada, deixo para buscar uma resposta. Salvo algumas exceções, como quando o excesso de hipocrisia, na hora da lição de moral e das discussões sobre o certo e o errado, aparecem em uma aula, não mais de cursinho, muito menos de ensino médio.

Parece que eu fui a única que abandonou o "livrinho básico do senso comum"...





Aquele dia que eu não tinha nada para escrever

Contudo, escrevi.

Escrevi porque quis escrever. Com o fim de não ficar tanto tempo sem fazê-lo, escolhi este lugar para escrever qualquer coisa.

Escrever qualquer coisa e postar um poema do Carlos Drummond de Andrade. "Verbo Ser".

Verbo Ser - Carlos Drummond de Andrade

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.